set 20

No mundo dos instrumentos ópticos, os inventos para ver o macro são muito mais fama do que aqueles para ver o micro. Que digam isso Galileu Galilei e Isaac Newton, que participaram da evolução dos telescópios. Mas houve um holandês que entrou para a história da ciência graças a aparelhos feitos para investigar os aspectos microscópicos da vida na Terra.

Anton Philips van Leeuwenhoek (1632-1723) nasceu na cidade de Delft, em uma família de artesãos e produtores que prosperou no ramo de cestos e cerveja. Depois de alguns anos de estudo, ainda adolescente, foi enviado a Amsterdã para aprender o ofício de comerciante e o trabalho com tecidos. Quando já estava metido entre panos e outros mercadores, Leeuwenhoek teve seu primeiro contato com um microscópio. Fascinado pelo instrumento, logo adquiriu um para si. Em sua época, esse instrumento era pouco eficiente e usado até como diversão pelos mais abastados.

Passados alguns anos, ele voltou à sua cidade de origem, se estabeleceu no ramo de tecidos e manteve um emprego como funcionário do governo local. Com seus rendimentos assegurados, dedicou-se aos microscópios por conta própria, sem conhecimentos teóricos e sem orientação de ninguém para suas pesquisas.

Ele conseguiu resultados extraordinários, graças ao seu senso inventivo e sua visão bastante aguçada. Com procedimentos secretos, o holandês desenhou e construiu mais de 250 lentes ópticas e mais de 400 tipos de microscópios. Em sua época, seus instrumentos eram os mais eficientes em aumento e em nitidez e só foram superados muito tempo depois de sua morte. E, com instrumentos tão inovadores em mãos, ele foi um dos pioneiros na observação e descrição das vidas dos insetos e dos microorganismos. Foi também o primeiro a observar e descrever detalhes de ferrões e patas, fibras musculares, bactérias, protozoários, espermatozóides e o fluxo de sangue nos capilares sanguíneos. Contribuiu, assim, para o estabelecimento da microbiologia, com suas lentes capazes de aumentar até 275 vezes.

Ao mesmo tempo em que manteve sigilo sobre suas técnicas de construção de microscópios, divulgou seus estudos sobre microorganismos, que se tornaram conhecidos por meio de cartas ilustradas. Leeuwenhoek compartilhou suas observações e descrições com a Royal Society – instituição científica britânica – e com colegas aficionadas por ciência, os chamados cientistas particulares ou amadores. Foram mais de 300 correspondências enviadas pelo mercador.

Já conhecido como pesquisador, acabou eleito membro da Royal Society e foi intelectualmente ativo até o final de sua vida, 91 anos. As pesquisas com a microbiologia e a bacteriologia avançaram decisivamente, no século 19, com o francês Louis Paster e o alemão Roberto Koch, graças ao caminho que Leeuwenhoek havia aberto dois séculos antes. Por isso, hoje, além da paternidade dos modernos microscópios, muitos o consideram o pai da microbiologia.

set 10

Muitos mitos cresceram perante o desconhecido quando se fala em ciência. Diga isso a literatura, como Super-Man ou Frankstein, onde um homem consegue dar vida a uma criatura grosteca, que a mata e ainda rouba seu nome.

Porém a imaginação e o temor das pessoas jamais descansa. A ciência de ponta, por lidar co o desconhecido, sempre despertará medo. Que diga isso os cientistas que trabalham no LHC (Grande Colisor de Hádrons), onde houve gente do Havaí entrando com processos judiciais tentando interromper a construção da máquina. O temor delas? Que as colisões entre prótons gerariam um mini buraco negro e consumiria nosso planeta.

Claro, a mídia caiu em cima. A criação de um buraco negro numa colisão de partículas seria o Frankstein de nossa era. Pensando melhor, se o mesmo ocorresse, pelo olhar mais negativista, ninguém saberia, pois tudo seria consumido muito rápido.

O LHC é a maior máquina já construída. Atingiu e atingirá energias jamais vistas em qualquer lugar universo. Apenas frações de segundos após o Big Bang, o Cosmo já tinha tamanha energia. As colisões no coração da máquina seriam como mini Big Bangs. Mas o prefixo mini é muito importante. Mesmo que as energias sejam enormes do ponto de vistas das partículas envolvidas, sob o nosso ponto de vista as colisões teriam menos energia que uma batida de palmas.

Se realmente mini buracos negros aparecessem, ceticamente falando, eles seriam altamente instáveis, e desapareceriam em menos de um segundo sem causar pane apocalíptica. Portanto, não será essa invenção humana que causará nosso fim. O que não significa que não devemos estar sempre atentos para as nossas criações. Afinal, nunca se sabe quando um Lex Luthor ou um Dr. Destino aparecerá de verdade.


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