No mundo dos instrumentos ópticos, os inventos para ver o macro são muito mais fama do que aqueles para ver o micro. Que digam isso Galileu Galilei e Isaac Newton, que participaram da evolução dos telescópios. Mas houve um holandês que entrou para a história da ciência graças a aparelhos feitos para investigar os aspectos microscópicos da vida na Terra.
Anton Philips van Leeuwenhoek (1632-1723) nasceu na cidade de Delft, em uma família de artesãos e produtores que prosperou no ramo de cestos e cerveja. Depois de alguns anos de estudo, ainda adolescente, foi enviado a Amsterdã para aprender o ofício de comerciante e o trabalho com tecidos. Quando já estava metido entre panos e outros mercadores, Leeuwenhoek teve seu primeiro contato com um microscópio. Fascinado pelo instrumento, logo adquiriu um para si. Em sua época, esse instrumento era pouco eficiente e usado até como diversão pelos mais abastados.
Passados alguns anos, ele voltou à sua cidade de origem, se estabeleceu no ramo de tecidos e manteve um emprego como funcionário do governo local. Com seus rendimentos assegurados, dedicou-se aos microscópios por conta própria, sem conhecimentos teóricos e sem orientação de ninguém para suas pesquisas.
Ele conseguiu resultados extraordinários, graças ao seu senso inventivo e sua visão bastante aguçada. Com procedimentos secretos, o holandês desenhou e construiu mais de 250 lentes ópticas e mais de 400 tipos de microscópios. Em sua época, seus instrumentos eram os mais eficientes em aumento e em nitidez e só foram superados muito tempo depois de sua morte. E, com instrumentos tão inovadores em mãos, ele foi um dos pioneiros na observação e descrição das vidas dos insetos e dos microorganismos. Foi também o primeiro a observar e descrever detalhes de ferrões e patas, fibras musculares, bactérias, protozoários, espermatozóides e o fluxo de sangue nos capilares sanguíneos. Contribuiu, assim, para o estabelecimento da microbiologia, com suas lentes capazes de aumentar até 275 vezes.
Ao mesmo tempo em que manteve sigilo sobre suas técnicas de construção de microscópios, divulgou seus estudos sobre microorganismos, que se tornaram conhecidos por meio de cartas ilustradas. Leeuwenhoek compartilhou suas observações e descrições com a Royal Society – instituição científica britânica – e com colegas aficionadas por ciência, os chamados cientistas particulares ou amadores. Foram mais de 300 correspondências enviadas pelo mercador.
Já conhecido como pesquisador, acabou eleito membro da Royal Society e foi intelectualmente ativo até o final de sua vida, 91 anos. As pesquisas com a microbiologia e a bacteriologia avançaram decisivamente, no século 19, com o francês Louis Paster e o alemão Roberto Koch, graças ao caminho que Leeuwenhoek havia aberto dois séculos antes. Por isso, hoje, além da paternidade dos modernos microscópios, muitos o consideram o pai da microbiologia.


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