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De onde vêm os nomes das operações da Polícia Federal?

Date: 1 jan 2008 Comments: 6 so far

federal.pngMedusa, Azahar, 42 Graus, Babilônia, Pandora, Mercúrio, Êxodo: A Polícia Federal está manjando de história, religião e ciência, e tanta criatividade está deixando muita gente curiosa. Há alguns anos, as operações ganharam personalidades por conta dos curiosos nomes que receberam. Uma das mais recentes, a Operação Farrapos, foi responsável pela prisão do colombiano Juan Abadia, um dos traficantes de drogas mais procurados do mundo. O nome foi inspirado na Guerra dos Farrapos, porque Abadia esteve no Rio Grande do Sul recrutando trabalhadores rurais para o esquema de tráfico.

A Polícia Federal nega que haja alguém específico para cuidar dos nomes, que funcionam quase como uma jogada de marketing. A população, que quase não acompanha os desdobramentos das investigações e prisões, fica instigada com os títulos curiosos e começa a dar mais atenção para as operações. A regra é que os nomes possivelmente se utilize de passagens e personagens históricos ou mitológicos e elementos e nomes da ciência ou da Bíblia. Eles nascem para identificar uma operação primeiro entre os policiais, uma forma de manter sigilo.

Recordando algumas operações:

Operação Colossus: A operação foi deflagrada no dia 21 de agosto de 2007 para prender uma quadrilha especializada em roubo de senhas de banco pela internet e falsificação de cartões de crédito. Desde janeiro, os policiais investigaram integrantes de cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. O nome da ação foi uma referência ao computador Colossus, utilizado na 2ª G.M. para decifrar os códigos de inteligência nazista.

Operação Curupira: Esta, realizada em junho de 2005, foi dividida em duas partes. Uma ação ocorreu em junho e outra, em agosto. Com ela, a Polícia Federal desbaratou um esquema que movimentava cerca de R$ 890 milhões com extração e comercialização ilegal de madeira da Amazônia. O nome da operação faz referência ao histórico Curupira, o ser com os pés virados para trás que despista quem tenta seguí-lo. Os madeireiros, que contavam com ajuda dos funcionários do Ibama, agiam dessa maneira durante 14 anos quando foram presos pela PF.

Operação Navalha: A megaoperação que mobilizou 400 policiais federais em nove estados e no Distrito Federal aconteceu em maio de 2006. Foi chamada assim porque iria investigar gente da PF, ou seja, representaria um corte na própria carne da instituição. Depois, tomou maiores proporções e passou a investigar funcionários federais, estaduais e municipais ligados a uma organização que desviava recursos públicos. Os presos eram acusados de fraude de licitações, corrupção, tráfico de influência, superfaturamento de obras e desvio de dinheiro.

Operação Isaías: Uma das profecias bíblicas de Isaías era a seguinte: “Restarão tão poucas árvores em sua floresta, que um menino poderá contá-las”. Baseada nesse trecho, a PF criou o nome da ação que desarticulou, em 2006, um esquema ilegal de emissão e comércio de autorizações de transporte de produtos florestais (ATPFs). As siglas ATPFs são documentos exigidos pelo Ibama para o transporte de produto florestal de origem nativa.

Operação Azahar: Al-azahar é o nome em árabe para flor de laranjeira, que na cultura muçulmana simboliza a pureza da virgem. A operação Azahar desmantelou uma quadrilha internacional de pedofilia e ganhou este nome para fazer referência à inocência roubada das crianças. A operação, realizada em fevereiro de 2006, atingiu mais de 20 países, sendo que no Brasil a PF cumpriu mandado em 11 estados.

Operação Freud: Foi batizada assim a operação que ocorreu em junho de 2007, prendendo fraudadores de benefícios da Previdência Social concedidos a doentes psiquiátricos em Belo Horizonte. O nome da operação foi escolhido por causa do pai da psicanálise, Sigmund Freud, já que a quadrilha apresentava documentos falsos alegando enfermidades psiquiátricas de seus clientes para conseguir a concessão de auxílios-doença e aposentadorias por invalidez.

Operação Narciso: Narciso era um personagem da mitologia grega que, por vaidade, se afogou ao contemplar sua imagem refletida em um lago. Pois o nome do vaidoso acabou servindo de inspiração para o nome da operação ocorrida em julho de 2005. A Operação Narciso investigou Daslu, em São Paulo, maior loja de artigos de luxo do Brasil, sob suspeita de que os produtos ali vendidos eram adquiridas de importadoras que subfaturavam mercadorias estrangeiras para diminuir a incidência de impostos.

Qual será a próxima?

  1. 6 Comments to “De onde vêm os nomes das operações da Polícia Federal?”

    1. Pedro disse:
      Ta aí uma coisa realmente curiosa, quanta criatividade dos policiais, o melhor é que muitas tem sido bem sucedidas né, quando e li isso logo lembrei do BOPE hehe, geral já cansou né do TP, cara vo te fala a verdade que eu ne tava sabendo dessa operação farrapos, primeiro porque eu moro na Espanha mesmo q eu fique muito na internet é que aquilo na rede atual agente só lê o assunto que agente quer né ai muita coisa interessante passa desapercebida, vou ate olhar sobre isso :D
    2. Danilo disse:
      A PF realmente tem nomes curiosos, e como diz no post, sempre o nome está relacionado ao lugar ou ao caso.

      Boa pesquisa, boa semana e volte sempre.
      Abraços.

    3. [...] Como já postado uma vez aqui no blog, a Polícia Federal coloca nomes em suas operações de acordo com o que é investigado. Para dar uma relembrada, clique aqui. [...]
    4. girley disse:
      É aplausivél essa instituição pela forma de trabalho como e escolhido os nomes das operações e que sirva de exemplo para demais policías.
    5. HEPRAION disse:
      ja que tem nome nas operacoes da PF, quais sao as operacoes da PRF, vc pode me mandar os nomes.
    6. Anthony-APF disse:
      TV e Cinema

      Big Brother (2005): Revelou o esquema de adulteração de documentos para obter títulos milionários da dívida pública da Petrobrás e Eletrobrás;

      TV Pirata (2007): Deflagrou três centrais clandestinas de distribuição de imagem de TV via cabo numa comunidade da região de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro;

      Senhor dos Anéis (2007): Investigou uma quadrilha de falsificadores de anilhas para pássaros da fauna brasileira;

      Negócio da China (2008): Contra executivos de uma grande rede de lojas de eletrodomésticos do Rio de Janeiro que comercializava produtos contrabandeados;

      Carga Pesada (2009): Deflagrou um esquema de tráfico internacional de entorpecentes no Aeroporto Internacional de Guarulhos;

      Top Gun (2009): Desarticulou uma organização que distribuía cocaína no Rio Grande do Sul e atuava no roubo e furto de veículos, estabelecimentos comerciais e bancos.

      Tecnologia

      Ponto Com (2005): Desarticulou uma organização especializada em crimes pela internet;

      Control+Alt+Del (2006): Prendeu uma quadrilha envolvida com o roubo de senhas bancárias através da Internet;

      Pen Drive (2007): Investigou um esquema internacional envolvendo clonagem de cartões bancários e de crédito no Brasil para saques no exterior;

      Game Over: Foram diversas operações batizadas de Game Over. Em geral, investigaram fraudes ligadas à casas de bingos e máquinas caça-níquel;

      Comidas e Bebidas

      Catuaba (2004): Desmantelou uma quadrilha que, entre outras coisas, falsificava selos de IPI de bebidas;

      Cevada (2005): Investigou um esquema criminoso que beneficiava empresas ligadas ao grupo Schincariol;

      Tarantela (2006): Prendeu integrantes de uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de seres humanos com o fim de exploração sexual;

      Caloria (2006): Prendeu dez pessoas que faziam parte de um grupo de profissionais da área de saúde que produziam e distribuíam ilegalmente medicamentos para emagrecer;

      Bala Doce (2006): Desarticulou uma quadrilha de tráfico internacional de entorpecentes que atuava em festas rave;

      Fast Food (2008): Desarticulou uma rede de tráfico de drogas que atuava na rota Norte-Nordeste do país;

      Música

      Tango (2005): Deflagrou uma quadrilha envolvida com crimes financeiros e lavagem de dinheiro;

      Castanhola (2005): Desarticulou uma quadrilha que atuava no tráfico internacional de mulheres para Espanha e Portugal;

      Discoteca (2006): Operação de combate à falsificação e comercialização de CDs e DVDs piratas;

      Play Back (2008): Reprimiu a comercialização de músicas com violação dos direitos autorais de artistas nacionais e estrangeiros;

      Nas Ondas do Rádio (2008): Investigou o funcionamento de rádios clandestinas;

      Outras

      Bye Bye Brasil (2005): Desmontou uma organização criminosa especializada em introduzir brasileiros de forma ilegal no exterior, principalmente nos EUA;

      Geralda Toco Preto (2006): Combateu a exploração ilegal de madeira na reserva indígena Geralda Toco Preto, no Maranhão;

      14 bis (2006): Identificou um grupo que atuava na Alfândega do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, na liberação ilegal de mercadorias importadas;

      Big Apple (2007): Desarticular um esquema de contrabando de agrotóxico no Rio Grande do Sul;

      Freud (2007): Investigou uma quadrilha que fraudava a Previdência Social em Minas Gerais;

      AVC (2007): Prendeu sete integrantes de um grupo de assaltantes de bancos no Nordeste;

      Minuano (2008): Deflagrou uma quadrilha de tráfico de drogas estabelecida em cidades no interior do Rio Grande do Sul

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