Sete maravilhas do mundo totalitário
Desde que morreu, em 1924, o líder da revolução russa Vladimir Ilitch Ulianov, o Lênin, nunca foi enterrado. Seu corpo está exposto na Praça Vermelha, em Moscou, num caixão de vidro. Quando Lênin se foi, muita gente perguntou o que seria feito com o corpo. Pensaram em preservá-lo como um grande símbolo do país e mantê-lo embalsamado.
Sugestão aceita, o mausoléu continua intacto a mais de oito séculos. Além do símbolo de uma época importante no país, o monumento está entre as sete maravilhas do mundo totalitário, uma lista feita pela revista americana “Esquire”, que pegou carona na votação das setes novas maravilhas do mundo. O mausoléu de Lênin é o monumento mais simbólico de todos. Ele deu início ao comunismo, tirou as idéias de Marx do papel e colocou-as em prática.
Conheça os outros seis:
Ditadura coreana: Kim II-Sung liderou um dos regimes mais fechados do mundo, o da Coréia do Norte. Para o próprio deleite, mandou erguer em Pyongyang o monumento à fundação do Partido dos Trabalhadores. Nele, o martelo e a foice representam o triunfo dos trabalhadores, e o pincel, a importância dos intelectuais.
Lavagem cerebral: Saparmurat Niyazov, ex-ditador do Turcomenistão, esteve no poder por 21 anos e construiu uma estátua de si próprio. Ele comparava sua autobiografia, leitura obrigatória dos cidadãos, com a bíblia e acabou com a liberdade e o direito da população.
Diamante de sangue: A estátua em Kinshasa impõe a autoridade do ex-ditador do Congo, na África, Laurent Kabila. Ele levou a economia do país dos diamantes ao fracasso e assistiu a uma guerra civil em que quase quatro milhões de pessoas morreram.
Mao e o Exército da Libertação: A estátua, instalada em Pequim, mostra Mao Tsé-tung liderando o Exército da Libertação (braço armado do comunismo chinês). Mao queria que o país avançasse rapidamente, mas seus métodos, que incluíam perseguição política e violência, mataram milhões de pessoas de fome. Muitos dizem que o monumento mostra o líder conduzindo seu exército para o abismo.
Punho destruindo caça dos EUA: Em Trípoli, a mão esmagando um avião simboliza o sofrimento que os EUA causaram ao povo líbio. Em 1986, Ronald Reagan ligou a Líbia a um atentado a uma boate alemã. Como retaliação, bombardeou áreas líbias e matou 101 pessoas. Dois anos depois, com a escultura já encomendada, o ditador Khaddafi financiou um atentado contra um avião norte-americano.
Mãos da vitória: É um dos monumentos que marcam a época de Saddam Hussein no comando do Iraque. Foi construído em Bagdá para celebrar o fim da guerra contra o Irã, conflito militar que durou oito anos, entre 1989 e 1988, e deixou quase um milhão de mortos de cada lado. O desgaste sofrido deixou o Iraque em condições horríveis e levou Saddan a invadir o Kuwait, numa tentativa desesperada de atenuar os problemas econômicos e políticos do país.
Fonte: Galileu n° 195 (adaptado)

