Por que os homens têm muito menos pêlo que outros mamíferos?
Caso houvesse um jogo na natureza entre os mamíferos pelados e os peludos, estes últimos venceriam de goleada. Macaco e urso se somam a mais de cinco mil espécies de mamíferos que se defendem do frio com a ajuda da pelagem. Elefantes, hipopótamos e baleias são uma exceção, assim como os humanos, que sofreram modificações drásticas na pelagem com o decorrer do processo evolutivo.
A diferença entre nós e os cães, por exemplo, é que temos os pêlos mais finos, curtos e numa quantidade bem menor. Nossa pelagem mais densa ficou restrita à cabeça e às partes pubianas. Ainda não há uma resposta para essa adaptação natural, mas três teorias tentam explicar a mudança.
Uma delas defende que altas temperaturas enfrentadas por nossos ancestrais na savana obrigaram o ser humano a perder pêlos para atenuar o calor. Mas alguns estudiosos não aceitam essa teoria, e afirmam que, se ela se confirmasse, perderíamos calor durante o dia e à noite. E, na verdade, é preciso reter calor durante a noite para não morrermos de frio.
Uma segunda teoria sugere que essa perda se deu por conta dos nossos mergulhos n’água. Entre 6 e 8 milhões de anos atrás, os homens teriam uma vida semi-aquática. A espessa camada de pêlos poderia não ter funcionado como bom isolante térmico e teria sido substituído por gordura. Quem contesta essa hipótese diz que são muito fracas as evidências de que o homem teria passado por uma fase aquática.
A mais recente tese foi apresentada por professores da Universidade de Reading, na Inglaterra. Eles sustentam que perdemos os pêlos para nos livrar de parasitas transmissores de doenças, que adoram se instalar no chamado “casaco de pêlo” – a presença de piolhos na cabeça comprova a hipótese. Mas os bichos não foram os únicos responsáveis pela diminuição de nossa pelagem. Os cientistas defendem que isso só foi possível porque o homem já sabia dominar a técnica do fogo, construir abrigos e fabricar roupas. Dessa maneira, ele evitou se tornar moradia dos parasitas e não sofreu com o frio.
Fonte: Galileu n° 194

