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Bola de cristal

Date: 6 set 2007 Comments: 0

Ok, eles inventaram a internet e estiveram por trás do Sistema de Posicionamento Global (GPS). Não é pouca coisa, mas o desafio agora parece loucura: inventar uma “bola de cristal” militar, um software para tornar um general ou almirante invencível, capaz de prever como vai se desenrolar o combate e tomar as decisões certas para vencê-lo. “Eles” são os profissionais da agência de pesquisa militar norte-americana Darpa, a qual já se chamou Arpa. Para quem lembra, Arpanet é a antecessora militar e americana da civil e global internet.

A agência existe para fazer a pesquisa militar mais “esotérica”, menos ligada ao cotidiano dos militares, mas tentando prever seu futuro. Para o presente, os EUA mantém um pra lá de robusto sistema de P&D (pesquisa e desenvolvimento), capaz de criar para seus soldados joelheiras high-tech, munição mais potente ou até mesmo barras de chocolate que não derretam com facilidade.

Para ir além do feijão-com-arroz pedido pelos militares, A Darpa financia pequenas equipes com projetos de curto ou médio prazo. É o caso do “Deep Green” (verde profundo), o projeto “bola de cristal” para comandantes.

A idéia por trás é razoável. Comandantes se debatem para escolher opções em combate. Por que não listar todas as opções possíveis, tendo como base as informações que chegam ao quartel-general e com isso definir quais os prováveis cenários – e quais os planos e ações que se adequariam melhor a eles?

Os militares costumam agir com base em premissas. Observam o que acontece, orientam-se de acordo com as opções, decidem e agem. A equipe da Darpa quer tornar o processo mais rápido e eficaz, para que, em “tempo real”,o comandante possa tomar uma decisão antes do seu rival.

Claro, no papel ou no monitor do PC, é tudo bonito, previsível. Na tal da vida real a coisa se complica. Ninguém tinha preparado no século XIX os militares ocidentais para um equipamento hoje tão comum chamado “metralhadora”, por exemplo. O que era essa arma que disparava balas de fuzil, mas com muito mais cadência de tiro, e que era transportada sobre rodas, como um canhão?

Se ela fosse mais conhecida, o famoso cavalariano americano George Armstrong Custer (1839-1876) teria levado as suas para o fatídico encontro com os índios sioux, que massacraram toda sua tropa do 7° regimento de cavalaria em 1876. Ele não sabia como usar a nova arma, que achava um trambolho. E deixou as sua na retaguarda.

Teria um pesquisador da Darpa produzido um software para melhor uso da metralhadora então? E, como de praxe, falta combinar o jogo com o adversário. Diz um velho ditado militar que o inimigo tem sempre quatro opções, mas geralmente acaba escolhendo a quinta.

Fonte: Galileu n° 194

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